Macarrão 3
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KAFA Com a ajuda do Consulado brasileiro no Líbano e da ONG Kafa, a paranaense Nariman Osman Chiah viveu em um refúgio para mulheres vítimas de violência doméstica, antes de fugir para o Brasil. Ghida Anani, representante da ONG Kafa, tem dado assistência a Nariman, pois ela precisa fazer seu divórcio no Líbano, onde se casou. Ela explica que no caso de Nariman, se quisesse sair sozinha do Líbano poderia - o que prova que o impedimento dela era legal, e não religioso, pois tem a ver com o filho Abbas que voltou com ela. A lei libanesa impede, a exemplo da brasileira, viagens de crianças sem autorização por escrito dos pais. O marido de Nariman quer a guarda do filho. Ele tem um pedido de prisão preventiva no Brasil, pois deixou de comparecer a uma audiência judicial por acusação de contrabando, mesmo assim Nariman acha que ele pode raptar o filho caso entre no país pelo Paraguai. “Tenho um pouco de medo sim. Ele pode entrar legalmente pelo Paraguai. Quando mandar as crianças à escola, vou avisar sempre quem pode ir lá pegar”, disse. |
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DIA DO LIBANÊS Em seu primeiro mandato, o prefeito de Londrina, Nedson Micheleti, sancionou a lei municipal 8613/2001 de autoria do vereador Jamil Janene, que na ocasião também estava exercendo seu primeiro mandato. A lei instituiu o Dia do Líbano em 22 de novembro, data que marca a independência do Líbano do domínio da França em 1943 e que por coincidência é a mesma do aniversário do prefeito. A região metropolitana de Londrina tem uma comunidade libanesa formada por, pelo menos, 3.500 pessoas. Na foto, o vereador Jamil Janene com seus irmãos Fuad e Abdul Rahim, cujos pais Wadad e Mohamed Kassem Janene (in memoriam) foram pioneiros na cidade de Colorado. |
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Maringaense dá autógrafo a presidente libanês... O escritor e historiador maringaense Roberto Khatlab esteve com o presidente da República do Libano, general Michel Sleiman, no dia 6 de outubro em Beirute. Na ocasião, ele apresentou seu livro sobre os libaneses no Brasil escrito em inglês "Lebanese Migrants in Brazil", da editora da Notre Dame University. "Encontro interessante com o presidente, que tem grande preocupação em elaborar um contato forte com os imigrantes, pois a maioria dos libaneses estão na diáspora", comentou ele por e-mail (robertokhatlab@yahoo.fr). Nascido em Maringá em 1960, aos 16 anos Khatlab mudou-se para Curitiba, onde completou seus estudos. Há 20 anos, ele se transferiu para Beirute, onde foi trabalhar na embaixada brasileira, da qual se demitiu há 3 anos. Conferencista internacional, estudou Filosofia, Teologia Oriental, História e Arqueologia. Publicou, entre outras obras, Os Melquitas (São Paulo, EGMC, 1993), As Igrejas Orientais, Católicas e Ortodoxas - Tradições Vivas (São Paulo, Ave-Maria, 1997), Brasil-Líbano, Amizade que desafia a distância (EDUSC, SP, 1999), que foi tra-duzido para o árabe (Beirute, Dar Al Farabi, 2000), Líbano, Turístico e Cultural (Rio de Janeiro, 2000), Mahjar - Saga Li-banesa no Brasil (Beirute, Mukhtarat, 2002, português-árabe) e Maria no Islã (São Paulo, Ave-Maria, 2002). |
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Festival libanês reuniu popstars do mundo... Realizado de 11 de julho a 12 de agosto, o Festival Internacional de Beiteddine teve desde o popstar nascido no Líbano, Mika, até o artista baiano Gilberto Gil. O palco para o show de Gil foi o palácio de Beiteddine, a antiga e suntuosa residência dos governantes do século 19, a sudeste de Beirute. "Nunca como neste ano, a organização desse evento internacional é um sinal positivo tanto para o país quanto para o exterior", disse a empresária Andrée Daouk, membro do comitê organizador do Festival. Ela também mora em um palacete da família Daouk na rua Omar Daouk, em Ain Al-Mreisseh. Segundo ela, nenhum esforço foi poupado para que o festival em Beiteddine fosse um símbolo de união entre libaneses e um atrativo para os estrangeiros, uma forma de comemorar “um novo Líbano”. O festival de Beiteddine, criado em 1984 em plena guerra civil libanesa (1975-1990), é um dos três grandes festivais de verão do Líbano, que costuma trazer grandes nomes da música internacional para o país. Além de Beiteddine, há ainda os festivais de Byblos, que existe desde 1988, e o de Baalbeck, o mais antigo e um dos mais famosos da região do Mediterrâneo, criado em 1955. Esses festivais não eram realizados desde 2006, devido ao período conturbado em que ocorreram a guerra com Israel, conflitos internos e um ano e meio de crises políticas que quase levaram o Líbano a uma nova guerra civil. Sua retomada é vista como símbolo do renascimento do país e da volta do turismo. |
Religião define o que você pode ser no Líbano... Sempre que venho ao Líbano, quando uma pessoa descobre que tenho origem libanesa, ela faz logo duas perguntas – 1) De qual cidade é minha família e 2) Qual a minha religião. No Líbano, a religião não é algo que define apenas quem você é. Mas também o que você pode ser. Por exemplo, se você for muçulmano ou druso, estará automaticamente impedido de ser presidente do país. Este cargo é restrito aos cristãos maronitas. Isto é, ser cristão apenas não adianta. Cristãos ortodoxos, melquitas, armênios ortodoxos, armênios católicos, assírios, caldeus, coptas, católicos romanos e protestantes também nascem sabendo que a Presidência é algo que eles nunca vão alcançar. O mesmo vale para o posto de chefe das Forças Armadas – tem que ser cristão maronita. Para ser premiê, tampouco basta ser muçulmano. Tem que ser muçulmano sunita. Para os xiitas, resta o cargo de presidente do Parlamento. Aliás, não custa lembrar que o Parlamento também é dividido entre muçulmanos e cristãos. O mesmo vale para o Ministério. Com essas informações em mãos, já sabemos que o presidente do Libano, Michel Suleiman, é cristão maronita; o premiê, Fuad Siniora, é muçulmano sunita; e o presidente do Parlamento, Nabi Berri, é muçulmano xiita. Porém, apesar de terem esses cargos, eles não são necessariamente as figuras mais proeminentes de suas religiões. O principal líder cristão maronita, em termos religiosos, é o patriarca Nasrallah Sfeir. Politicamente, os maronitas e cristãos em geral se dividem em uma série de facções, cujos principais líderes são os rivais Michel Aoun e Samir Gaegea (em breve, haverá um post apenas sobre os cristãos). Mas há ainda as famílias Franjieh, Gemayel, Chamoun e outras. Já o maior líder sunita hoje é Saad Hariri, principalmente pelo fato de ele ser filho de Rafik Hariri, ex-premiê que morreu em mega-atentado terrorista em 2005 que mudou a história do Libano (também será tópico de post no futuro). Os xiitas, obviamente, têm como figura mais proeminente o xeque Hassan Nasrallah, líder do Hezbollah. Apesar da popularidade da organização, o cargo de presidente do Parlamento historicamente fica nas mãos dos ex-inimigos e hoje aliados da também xiita Amal. Os drusos, que não têm nenhum cargo relevante, são os que mais cegamente seguem seus líderes. O mais célebre deles é Walid Jumblatt. Mas ele não é unanimidade e muitos outros seguem a família Arslan. Além da política, a religião define ainda com quem você pode casar no Líbano. Para um cristão casar com uma muçulmana (e vice-versa), um dos dois tem que se converter. Ou então, comprar uma passagem e se casar no civil no Chipre. O mesmo vale para herança. |
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Libaneses se interessam em aprender o português... Com a insurgência das guerras, libaneses estão aprendendo o idioma português para viajar ao Brasil. Um pequeno grupo, que também está aprendendo capoeira, se reúne em uma das aulas para aprender português com o professor brasileiro Richard de Araújo (foto), que está no Líbano por meio de um acordo entre os governos libanês e brasileiro para ensinar o idioma em uma universidade pública. Desde outubro de 2007, ele ministra aulas de português na Universidade Naudas. “Dou aulas particulares para alguns praticantes de capoeira e outros que querem apenas aprender o idioma”, explicou Araújo. Para a aluna Cynthia Daher, é emocionante começar a entender o significado do que canta nas rodas de capoeira. “Acho o português um idioma muito bonito e poético, estou apaixonada pelo Brasil”, salientou. |
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Jornalista brasileiro cobriu guerras no Líbano e Oriente Médio... O jornalista gaúcho Tariq Saleh passou 12 horas sob fogo cruzado no campo de refugiados palestinos de Nahr Al-Bared, no norte do Líbano, em 2007. Em entrevista à BBC Brasil, Tariq contou sua façanha, que teve que ser preparada com equipamentos de segurança como capacete e um colete à prova de bala comprados no mercado negro libanês. Ele e outro jornalista chegaram à noite de carro na estrada que passa ao lado do campo e, sem serem notados, ultrapassaram a barreira imposta pelos militares libaneses. Tariq continuou seguindo até chegar à casa de uma família que já havia o acolhido em outra ocasião. Tariq e o colega passaram a noite ao relento ao “som ensurdecedor de morteiros e metralhadoras”, uma vez que quando chegaram a família estava dormindo. Assim que o dia amanheceu, Tariq Saleh e o colega conseguiram entrar na casa, de onde filmaram e fotografaram cenas da batalha escondidos atrás de cortinas entreabertas. “Meu maior medo, além de ser atingido por uma bala perdida, era ser preso, porque nenhum jornalista poderia estar no campo naquele momento”. Toda a imprensa havia sido deslocada para o alto de uma colina distante do campo de batalha, enquanto Tariq conseguiu se posicionar a apenas 30 metros de uma das bases da artilharia libanesa. O jornalista e o colega conseguiram deixar o campo, quando a artilharia libanesa diminuiu a intensidade dos bombardeios. “Para conseguir sair de lá, prendemos os coletes à prova de bala no vidro traseiro e na janela lateral que dava para o campo. Por sorte não fomos parados por alguns soldados que nos viram passar e depois saímos a mil por hora”, disse. Tariq Saleh vive em Beirute, capital do Líbano, onde trabalha como correspondente estrangeiro para a BBC Brasil. Também é colaborador para a Folha de S.Paulo e outras publicações brasileiras e estrangeiras. As notícias internacionais do Líbano exibidas nos telejornais, rádios e imprensa escrita são produzidas por ele ou são baseadas nas informações que ele repassa para os colegas. Nascido em Beirute em 1972, Tariq Saleh foi criado em Sapiranga-Rio Grande do Sul pelos pais palestinos Mohamad Hassan Saleh, professor de Literatura Árabe e Hayat Ibrahim Masri, historiadora. Tariq Saleh possui um bacharelado em Jornalismo e também estudos em fotografia. Fluente em inglês, espanhol e árabe, ele sempre teve interesse por História e Geografia na escola. Após estudar fotografia, ele entrou para a Faculdade de Jornalismo da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), no Rio Grande do Sul. Desde a faculdade, ele já mostrava interesse pelos acon-tecimentos internacionais. Sua especialidade logo tornou-se o Oriente Médio, África e América Latina, bem como a cobertura de conflitos, direitos humanos, refugiados e questões sociais naquelas regiões. |